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APNEADIVER
Enviado em: 14/12/2007 14:20
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Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
SERES MARINHOS PERIGOSOS

(Texto de Marcelo Szpilman - www.institutoaqualung.com.br)

Dando continuidade às matérias sobre os Seres Marinhos Perigosos, iniciada no último Informativo com os "Animais Mordedores", apresentaremos os animais peçonhentos divididos em três matérias, por tratar-se de um grupo muito grande. Neste grupo encontraremos animais providos de mecanismos naturais de defesa que entram em ação apenas quando estes são importunados, não havendo a possibilidade de o homem ser passivamente atacado e inoculado com a peçonha. Antes de iniciarmos o assunto, cabe um esclarecimento a respeito da diferença entre peçonha e veneno. Peçonha: é uma substância qualquer de origem animal, produzida por uma glândula, capaz de alterar o metabolismo de outro animal quando inoculada. (Exemplo: peixes peçonhentos como o bagre, o mangangá e a raia.)

Na verdade, quando uma pessoa morde uma outra, sua saliva pode atuar como uma peçonha, apesar de sua baixa agressividade. Veneno: é uma substância de origem animal, vegetal ou mineral. Porém, não é produzida por nenhuma glândula nem é inoculada naturalmente. Os peixes venenosos são aque-les que produzem envenenamento, ou intoxicação, quando ingeridos ainda frescos, pois apresentam secreções tóxicas em seus organismos. (Exemplo: baiacu.) As conseqüências ocasionadas por uma peçonha estão diretamente correlacionadas à sua potência, quantidade inoculada, e peso e condições físicas da vítima. Provocam desde uma simples irritação à reações de extrema dor. Embora raros, os casos fatais advém, em grande parte, do choque e posterior afogamento. Assim, é importante retirar a vítima da água imediatamente após o ocorrido. De uma forma geral, não deve-se tocar, manusear ou importunar os seres marinhos desconhecidos, evitando-se os animais com formas e, principalmente, cores exóticas, que é a sinalização da natureza para o perigo. No grupo dos invertebrados marinhos peçonhentos encontraremos vários animais distribuídos em diversos ramos, como os poríferos (esponjas), os celenterados (caravelas, águas-vivas, corais, etc), os equinodermos (ouriços), os moluscos (conus e polvos) e os anelídeos (poliquetas). Os vertebrados marinhos peçonhentos são representados por algumas espécies de peixes, como o mangangá e o bagre.

Esponjas


Essencialmente marinhas, dos mares árticos até os tropicais, vivem desde a linha de maré baixa até profundidades de 6.000 metros. Incapazes de movimento e com o aspecto semelhante ao de várias plantas, apresentam o corpo poroso com formato e coloração variados e tamanhos que vão de 1 mm a 2 m de diâmetro. Fixam-se a rochas, conchas e outros objetos sólidos. Apresentam um esqueleto de sustentação formado de fibras irregulares de espongina __ escleroproteína contendo enxôfre, daí o odor desagradável após algum tempo fora da água __, combinadas com espículas calcárias (esponjas calcárias) ou silicosas (esponjas de vidro). A título de curiosidade, a esponja comercial, usada no banho, é o esqueleto flexível (espongina) de uma esponja marinha com todas as partes vivas retiradas. Em algumas espécies, mais evoluídas, as espículas estendem-se para fora da superfície do corpo produzindo uma aparência cerdosa. Seu epitélio externo, formado por células finas e chatas, pode secretar substâncias químicas irritantes (peçonha) para a pele humana.

Aspectos Médicos

O resultado de um contato com as espécies mais perigosas, onde suas espículas penetram na pele com a conseqüente inoculação da peçonha, é uma dermatite desagradável e/ou dolorosa (reações alérgicas e/ou inflamatórias).

Prevenção

Para evitar acidentes com as esponjas-marinhas, na verdade não muito comuns, recomenda-se o uso de luvas para o manuseio destes animais. A roupa de neoprene dos mergulhadores protege em caso de contato brusco.

Tratamento

O tratamentoda lesão causada pela esponja visa eliminar os efeitos da dermatite e se resume às medidas abaixo descritas. Irrige a região afetada com ácido acético à 5% (vinagre) por 10 a 15 minutos. Após essa aplicação, seque a pele. Depile o local afetado com esparadrapo ou lâmina, para remover a maior parte das espículas que possam estar encravadas na pele. Repita o tratamentocom ácido acético à 5% por 5 minutos. Aplique uma camada fina de loção de hidrocortisona 0,5 a 21%, 2 vezes ao dia, até que a irritação desapareça. Não inicie o tratamentocom a aplicação de hidrocortisona antes do ácido acético. Nas manifestações alérgicas graves, com formação de grande edema, flictenas e fortes dores locais, administre medicação sistêmica (antihistamínicos e/ou corticosteróides), de acordo com a gravidade do caso. Caso haja sinais de instalação de infecção, suspenda os corticóides e administre antibióticos com ampla cobertura para germes gram-positivos e anaeróbios principalmente (penicilinas).

Ouriços


Endêmicos em várias regiões do mundo, são encontrados principalmente nas áreas costeiras, como os costões e praias, em especial nas rochas, no lodo e na areia. O corpo, que na grande maioria tem de 6 a 12 cm de diâmetro (sem contar os espinhos), é esférico e sua superfície apresenta pés ambulacrários, utilizados na apreenção e locomoção, brânquias (pápulas pequenas e moles), pedicelárias e espinhos pontiagudos. Os espinhos são móveis e estão dispostos com relativa simetria, sendo um pouco maiores no equador e diminuindo para os pólos. Um espinho comum, formado por um único cristal de calcita, é afilado, ôco, quebradiço e não apresenta nenhuma glândula produtora de peçonha, mas pode possuir uma capa mucosa protetora contendo uma substância irritante. O contato brusco é acompanhado normalmente pela penetração do espinho na pele, produzindo desde uma ferida semelhante à ocasionada por uma "farpa" até uma lesão dolorosa e grave. As pedicelárias (pedúnculo longo e flexível cuja ponta apresenta três mandíbulas opostas e articuladas), características de todos os ouriços, apresentam-se de vários formas. O tipo mais perigoso, chamada de globífera, possui glândulas de peçonha __ sua função principal é a defesa. As mandíbulas são rodeadas por sacos de peçonha e, após cravá-las em algo, podem inocular sua vítima exercendo rápido efeito paralisante sobre pequenos animais.

Aspectos Médicos

A penetração de espinhos na pele humana pode, nos casos mais sérios, ocasionar dor, edema e infecção. Uma picada de uma pedicelária pode produzir dor irradiada, parestesia e distúrbios respiratórios. A dor costuma diminuir após 15 minutos e desaparecer depois de uma hora. Felizmente, os acidentes com pedicelárias no Brasil são raríssimos.

Prevenção

De hábitos costeiros, em águas relativamente rasas com fundo coralino e/ou rochoso, permanece entocada A penetração dos espinhos é algo bastante familiar para os mergulhadores que costumam, ao olhar as tocas, apoiar-se nas pedras do fundo. Roupas de neoprene, luvas e nadadeiras não dão proteção efetiva contra os espinhos em um contato brusco. Por isso, os mergulhadores devem observar atentamente as pedras do fundo antes de se apoiar. O mesmo cuidado devem ter os banhistas ao andarem descalços nas áreas habitadas pelos ouriços. Ao manusear um ouriço procure sempre usar luvas, pois apenas a pele nua é capaz de sofrer uma picada de uma pedicelária.

Tratamento

O tratamento da ferida ou lesão provocada pela penetração de um espinho varia de acordo com a profundidade da penetração e área do corpo envolvida. Por quebrarem facilmente, a tarefa de removê-los pode tornar-se complicada, sendo por vezes necessário procedimentos cirúrgicos com anestesia local. Outras vezes, os espinhos podem permanecer no local por meses ou mesmo migrar para outros locais, sem apresentar maiores reações do organismo. A primeira medida a ser tomada, quando a penetração é superficial, é tentar remover os espinhos como se faz com uma farpa qualquer. O debridamento cirúrgico deve ser realizado quando a penetração é profunda, devido à friabilidade do espinho. Se houver penetração em uma articulação, ou próximo dela, deve-se tirar uma radiografia e removê-lo cirurgicamente. Do contrário, poderão ocorrer complicações futuras como processos inflamatórios crônicos. Após a remoção de todo o espinho deve-se então fazer uma cuidadosa limpeza da ferida, lavando e esfregando-a bem com sabão. (A mancha roxa ou preta que muitas vezes permanece no local, após a remoção do espinho, pode não significar necessariamente a existência de um pedaço do mesmo, uma vez que pigmentos soltos pelo espinho podem impregnar a ferida, sem maiores conseqüências.) Não suture a ferida devido ao risco de uma infecção posterior. Ocorrendo infecção, será necessário compressas quentes e antibioticoterapia. Havendo dor, banhe a ferida em água quente à 50o C para diminuí-la, o que costuma ocorrer cerca de 30 à 60 minutos após. A adição de sulfato de magnésio pode diminuir esse tempo, devido às suas propriedades anestésicas. As reações alérgicas podem ser controladas com adrenalina, anti-histamínicos e corticoisteróides.

Poliquetas


São vermes segmentados, comuns ao longo da costa brasileira, encontrados nos fundos arenosos e rochosos, geralmente sob as pedras ou enterrados na areia. Podem medir de 0,10 a 1,50 metros de comprimento. A cabeça apresenta apêndices sensitivos (pequenos tentáculos) e uma faringe protrátil com duas mandíbulas contendo dentes córneos. Cada segmento do corpo possui um par de parapódios laterais chatos com dois lobos, cada um contendo um cirro e um feixe de diversas cerdas filiformes. As cerdas de algumas espécies, que podem ser longas e apresentar cores irradiantes, provocam reações urticantes ao penetrar na pele humana. Algumas espécies, tidas como predadoras vorazes, são capazes de infligir uma mordida bastante dolorosa. Porém, acidentes desse tipo são raros no Brasil e pouco comuns em outros países. No entanto, ainda não está definido se há e qual o tipo de peçonha envolvida na mordida desses animais.

Aspectos Médicos

A penetração das cerdas de algumas espécies pode produzir inflamação, intenso prurido, edema, infecção e parestesia por alguns dias. Acredita-se que essas reações possam estar correlacionadas com a urina desses animais, já que abaixo de cada parapódio lateral há um nefridióporo. A pequena ferida provocada pela mordida pode tornar-se quente e edemaciada, permanecendo assim por um ou dois dias. O edema pode evoluir para parestesia e prurido.

Prevenção

Procure ter atenção ao mexer ou revolver a areia ou as pedras do fundo. Tenha muito cuidado ao manusear um poliqueta. Luvas grossas devem ser usadas para essas tarefas, pois evitam a penetração das cerdas ou mordidas.

Tratamento

O tratamentoda mordida é sintomático, ou seja, por não se conhecer se há e qual o tipo de peçonha envolvida, o tratamentodeverá ocorrer de acordo com os sintomas apresentados. As cerdas grandes e visíveis devem ser removidas com o uso de pinças. Para as menores consegue-se melhores resultados aplicando fitas adesivas na pele e puxando-as. Depois desses procedimentos deve-se aplicar ácido acético a 5% (vinagre), amônia diluída ou pasta de gluconato de cálcio para diminuir a dor e a irritação. Loções e cremes anestésicos podem ser úteis. Havendo reação inflamatória severa deve-se utilizar corticosteróide tópico ou sistêmico. Antibióticos devem ser empregados apenas se houver infecção secundária.

Conus


Esses moluscos são encontrados junto aos fundos rochosos e/ou coralinos, em várias profundidades e por todo o litoral brasileiro. Seu corpo fica contido e enrolado dentro de uma única concha em espiral, cônica e assimétrica, medindo de 2 a 15 cm, com coloração bastante variada e exótica. Esses animais presentam duas estruturas características que são projetadas para fora da concha pelo lado mais fino desta: um tubo com formato de sifão, para "provar" a água e detectar suas presas, e uma probóscide (pequena tromba) para capturá-las. Esta última carrega um peçonhento dente radular ou dardo __ pequena estrutura oca, com cerca de 1,5 mm de comprimento __ que é lançado e imobiliza pequenos peixes e outras presas menores. Momentos antes de lançá-lo, a peçonha é impulsionada para dentro do dardo. Esse é então liberado na faringe e levado para a probóscide para ser impelido em sua vítima. Quando importunado, o animal normalmente se retrai para dentro de sua concha. O perigo surge quando ele estende sua pequena tromba e inocula a peçonha neurotóxica através do dardo.

Aspectos Médicos

A picada do conus pode produzir sinais e sintomas variados, de acordo com a espécie inoculadora. Geralmente há um prurido local, evoluindo para parestesia em todo o membro, podendo evoluir para ataxia, tremores, dispnéia e distúrbios sensoriais na motricidade e sensibilidade. A maioria das espécies é capaz de provocar um ferimento muitas vezes bastante doloroso. No entanto, apenas algumas espécies que habitam os oceanos Índico e Pacífico, são responsáveis por casos fatais.

Prevenção

Deve-se ter muito cuidado ao manuseá-los, segurando-os sempre pela região mais larga da concha e evitando o contato com suas partes moles. O uso de luvas grossas previne as possíveis picadas.

Tratamento

A base do tratamentovisa evitar, ao máximo, que a peçonha atinja a circulação sanguínea da vítima. Nesse sentido, a vítima deve ser tranqüilizada e colocada em repouso. Alguns autores preconizam a incisão, com sangramento provocado, e limpeza da ferida na tentativa de eliminar ao máximo a peçonha inoculada, porém são medidas discutíveis. Assim como os torniquetes que costumam ser utilizados. Sem o cuidado e a reserva necessários, pode-se causar danos maiores ao membro atingido. A indicação nesses casos é uma nova técnica bastante difundida atualmente: a imobilização por pressão com bandagens compressivas na região afetada, a fim de reduzir o retorno venoso. Coloca-se um chumaço de gaze ou tecido diretamente sobre o local da inoculação, prendendo-o, de forma firme e com certa pressão, com uma bandagem enrolada em volta da região afetada. A circulação arterial não deve ser obstruída. Pode-se determinar se há ou não obstrução através da presença de pulsação arterial distal. A bandagem deve ser afrouxada assim que a vítima puder receber atenção médica adeqüada. Colocar o membro atingido em água quente, em torno de 50o C, auxilia a inativação da peçonha e diminui a dor. Medidas de suporte para prevenir as complicações respiratórias e cárdiovasculares, para evitar o choque e a parada cárdio-respiratória, são aconselháveis nos casos mais graves.

Polvos


São encontrados em grande parte do litoral brasileiro, desde as águas rasas às mais profundas. Habitam as tocas e rachas do fundo e, embora costumem rastejar por entre as pedras, podem nadar por meio de um sifão. Possuem a cabeça grande, com dois olhos notáveis e uma boca equipada com fortes mandíbulas córneas e rádulas, circundada por 8 tentáculos com numerosas ventosas. Costumam medir de 5 cm a 10 m de comprimento quando distendidos. No entanto, as espécies maiores vivem a grandes profundidades, longe dos seres humanos. Os acidentes mais comuns são provenientes do enlaçamento dos seus tentáculos nos braços de um mergulhador. Deve-se, nesses casos, manter a calma e apertar a cabeça do polvo, o que interrompe sua respiração e faz com que ele abandone sua "equivocada presa". A mordida de um polvo, não muito comum, apresenta conseqüências bastante variáveis. Sua boca, provida de poderosas mandíbulas com rádulas em forma de "bico de papagaio", é capaz de morder com grande força. Ao morder, algumas espécies impregnam a vítima com sua saliva abundante que pode atuar como uma peçonha. Outras descarregam uma verdadeira peçonha com poder paralisante através das glândulas salivares.

Aspectos Médicos

A mordida de um polvo apresenta-se normalmente como um ferimento puntiforme e pode ocasionar desde uma simples infecção até a morte (apenas duas espécies do Indo-Pacífico são potencialmente mortais). Em alguns casos ocorre a sensação inicial de queimação ou latejamento, com um desconforto localizado que depois pode irradiar-se para todo o membro. O sangramento é, freqüentemente, desproporcional ao tamanho da lesão. Pode, ainda, ocorrer edema, calor e hiperemia na área da lesão, porém a recuperação é quase sempre rotineira.

Prevenção

As tocas e rachas habitadas pelos polvos devem ser evitadas pelos mergulhadores inexperientes. Usar roupa de mergulho pode evitar a aderência na pele produzida pelas ventosas de seus tentáculos. Independente de seu tamanho, os polvos devem ser manuseados sempre com cuidado e luvas grossas. As espécies menores costumam ser mais agressivas e mordem com maior freqüência.

Tratamento

Não existe um antídoto para a peçonha das duas espécies realmente fatais __ suas mordidas devem ser tratadas com muita atencão. Entretanto, as mordidas da maioria dos polvos são de menor importância e devem ser tratadas sintomaticamente. Medidas para diminuir a disseminação da peçonha com a técnica de imobilização por compressão da área atingida com compressas pode ser utilizada, apesar de não haver até o momento provas conclusivas suficientes da eficácia desse procedimento em mordidas de polvo. A remoção da peçonha por sucção, incisão ou aspiracão deve ser evitada, pois são medidas muito discutíveis. Se há inoculação de tetradoxina, poderá haver comprometimento respiratório e o paciente deverá ser colocado em repouso e tranqüilizado. Havendo desenvolvimento de paralisia respiratória, a respiração boca-a-boca e a massagem cardíaca externa podem ser empregadas. Medidas terapêuticas mais agressivas e ventilação artificial podem ser necessárias.
Celenterados



Este ramo abrange os hidróides, plumas-do-mar, medusas, caravelas, águas-vivas, anêmonas-do-mar, corais e falsos corais. Os indivíduos podem ser solitários ou coloniais e apresentar-se de duas formas em seu ciclo vital: o pólipo, com corpo tubular onde a extremidade inferior é fechada e fixa e a superior apresenta uma boca central circundada por tentáculos moles, e a medusa, com corpo gelatinoso em forma de guarda-chuva ou sino marginado por tentáculos, boca na superfície inferior côncava e natação livre __ dependem, em grande parte, das correntes, ventos e marés para se locomover.

O aparelho inoculador de peçonha é constituido de uma bateria de células denominadas nematocistos. Cada nematocisto consiste de uma diminuta cápsula arredondada, preenchida de líquido, contendo um fio tubular enrolado que pode ser projetado para fora. Embora possam ocorrer em quase toda a epiderme do animal, são mais abundantes nos tentáculos. Existem quatro tipos diferentes de nematocistos. Dois são usados na locomoção e apreensão de alimentos, não apresentando perigo para o homem. Os outros dois, usados em conjunto para capturar suas presas, apresentam um líquido peçonhento (hipnotoxina) que pode provocar uma grande irritação e uma intensa sensação de queimadura, além de ser um potente agente paralisante do sistema nervoso. O tipo penetrante tem um longo tubo filiforme enrolado. Quando descarregado, o tubo explode para fora e perfura a pele, inoculando a peçonha. O tipo envolvente contém um fio curto e espêsso enrolado. Na descarga ele se enrola fortemente em tôrno dos pelos da pele. Ao coçarmos a pele, devido à ação do tipo penetrante, estouramos uma pequena bolsa que ele carrega e inoculamos ainda mais peçonha nós mesmos. O sistema de descarga é ativado através de reações involuntárias (estímulos químicos e físicos). Por isso, os nematocistos podem ser ativados mesmo após a morte do animal. Das milhares de espécies celenteradas, relativamente poucas são perigosas de forma efetiva. Descreveremos apenas aquelas capazes de causar algum tipo de lesão ao homem.

Hidróides e Plumas-do-mar

Os hidróides e as plumas-do-mar são pólipos fixos, podendo ser solitários ou coloniais __ quando assemelham-se às plantas, com formato de pequenos arbustos, plumas ou mesmo musgos. Vivem nas águas rasas e sua reprodução, na maioria das espécies, se dá através do brotamento de pequenas medusas livres que não oferecem grande perigo. As plumas-do-mar coloniais não apresenta o estágio de medusa. Das espécies ocorrentes no Brasil, muito poucas são capazes de ocasionar lesões dolorosas. Embora algumas possam provocar sensações urticantes, na maioria das vezes os danos de um contato são praticamente imperceptíveis.

Falsos Corais Urticantes

São pólipos diminutos, coloniais e dimórficos, que se projetam através de póros em um exoesqueleto calcário maciço (carbonato de cálcio). Assemelham-se aos corais verdadeiros e são encontrados nos recifes tropicais até 30 metros de profundidade. Seus tentáculos são capazes de infligir lesões urticantes que variam de intensidade de acordo com a espécie envolvida. Algumas espécies ocorrentes em nossa costa e na costa da Flórida, conhecidas como "coral-de-fogo" possuem poderosos nematocistos capazes de provocar sérias lesões muito dolorosas.

Águas-vivas

Possuem os sexos separados e sua geração de pólipo é diminuta ou ausente. Apresentam o corpo gelatinoso, em forma de sino cúbico ou guarda-chuva, com pequenos tentáculos delicados e marginais. Sua boca, no centro da superfície côncava inferior, é circundada por tentáculos orais contendo muitos nematocistos. Vivem nos mares tropicais e subtropicais, nas águas pelágicas e costeiras, e nas praias. Podem ocorrer isoladamente ou em grandes grupos __ principalmente nos ciclos sazonais de procriação, em áreas que são, em geral, conhecidas pelos habitantes locais e evitadas por motivos óbvios. Flutuam calmamente e, apesar de poderem se deslocar por contrações rítmicas, estão, em grande parte, à mercê das correntes e ondas. Durante as tempestades um grande número delas costuma ser lançado nas praias. Seu alimento, peixes e pequenos invertebrados, é capturado e paralisado pelos nematocistos dos tentáculos orais e conduzido para a boca. São exatamente esses tentáculos orais que provocam acidentes com o homem. Todas as águas-vivas são capazes de infligir algum dano, porém apenas algumas espécies são realmente perigosas e podem provocar lesões muito dolorosas e sérias. Em nosso litoral são muito comuns as espécies capazes de provocar pequenas lesões e dermatites dolorosas. As mais perigosas, pouco comuns, podem infligir desde as lesões moderadas (dor pulsátil ou latejante, porém raramente causando inconsciência) às lesões severas (dor intensa que pode levar à perda da consciência e ao afogamento). Os acidentes com as espécies muito perigosas, denominadas vulgarmente de vespas-do-mar, e que podem provocar, além de erupções lacerantes e dor lacinante, falência circulatória e paralisia respiratória, são mais raros em nossa costa.

Caravelas

A caravela é uma colônia flutuante formada por pelo menos quatro pólipos polimórficos. O pneumatóforo ou flutuador, que secreta gás para tornar a colônia flutuante, os pólipos nutritivos, que digerem o alimento, os pólipos defensivos, que apresentam longos tentáculos com muitos nematocistos grandes e poderosos, e os pólipos reprodutores. Na espécie mais comum do Atlântico, o flutuador, usado como uma verdadeira vela, pode atingir até 30 cm de comprimento e mudar de forma por contrações. Seus inúmeros tentáculos, longos e transparentes, podem atingir até 30 metros de comprimento e conter até 80.000 nematocistos a cada metro. A caravela é uma das mais temidas criaturas que se pode encontrar flutuando na superfície da água nos mares quentes __ sua maior incidência, em nosso litoral, ocorre no outono e no inverno. Seus tentáculos são capazes de provocar acidentes com sérias lesões, grande irritação e intensa dor. Alguns podem ser fatais.

Medusas

Possuem os sexos separados e sua geração de pólipo é reduzida ou ausente. Apresentam o corpo gelatinoso de tamanho médio, em forma de sino ou guarda-chuva, e tentáculos finos com poucos nematocistos. Vivem nos mares quentes, da superfície até grandes profundidades, e não apresentam grande risco para o homem. O contato com seus tentáculos pode, no máximo, provocar reações urticantes locais.

Anêmonas-do-mar

São pólipos solitários, em forma de flor, com corpo cilíndrico curto, que habitam as águas rasas. Apesar de viverem fixas sobre o substrato marinho, são capazes de rastejar lentamente. Na extremidade superior está a boca rodeada por inúmeros tentáculos orais com variada coloração e alguns nematocistos. Devido ao pequeno tamanho de seus tentáculos, o contato com estes seres não produz maiores conseqüências do que leves a moderadas irritações no homem, já que a área atingida é normalmente muito restrita. O contato com as partes pouco sensíveis do corpo, como as mãos, pernas ou pés, produzem reações quase imperceptíveis. Porém, o contato com as partes mais sensíveis, como a face, lábios e a região inferior dos braços, pode permitir reações mais severas.

Corais

O organismo individual do coral é um pólipo em forma de anêmona com tentáculos curtos. Existem quatro tipos básicos de coral. Os corais pétreos, que vivem em uma taça pétrea com elevações radiais em colônias densas que produzem os corais calcários e os recifes coralinos nas águas relativamente rasas dos mares tropicais, os corais moles, que são pólipos com as partes inferiores fundidas em uma massa carnosa com esqueleto de espículas calcárias, muito comuns nas praias quentes, os corais córneos, que são colônias arborecentes com esqueleto axial de espículas calcárias e gorgonina côrnea, representados pelos corais vermelhos usados em joalheria e pelas gorgônias, e os corais negros, que são pequenos pólipos que formam um esqueleto arborescente de caules ramificados compostos de material côrneo, comuns nas águas tropicais mais fundas. Os acidentes com corais resultam do contato brusco com a sua região calcificada, provocando escoriações ou lesões que, embora superficiais, na maioria das vezes podem ser urticantes, dolorosas, de lenta cicatrização e potencialmente infectadas. O nível de gravidade dos cortes advém da possível combinação de alguns fatores: a laceração mecânica da pele pela estrutura cortante do exoesqueleto compacto calcário, com a penetração de material estranho na ferida, contato com a parte viva do coral (tentáculos com nematocistos) e possibilidade de infecção secundária. O contato simples, sem escoriação, com a parte viva dos corais apresenta particularidades semelhantes aos acidentes com as hidras, onde os danos são quase sempre mais brandos e, em alguns casos, imperceptíveis. Deve-se, no entanto, evitar o manuseio dos corais vivos com as mãos desprotegidas.

Aspectos Médicos Gerais

Os sintomas produzidos pelos acidentes com os celenterados variam de acordo com a espécie envolvida, o local atingido e o peso, sensibilidade e estado de saúde da vítima. As propriedades peçonhentas de um celenterado dependem, não somente da composição química da própria peçonha, mas também da quantidade de nematocistos descarregados e da capacidade dos mesmos de penetrar na pele da vítima. Os acidentes provocados pelos hidróides e plumas-do-mar costumam ser apenas irritações locais na pele. Os provocados pelas medusas, anêmonas-do-mar e corais produzem reações similares, mas geralmente são acompanhados por sintomas gerais. Já os sintomas produzidos pelas águas-vivas, medusas e caravelas variam bastante. Algumas produzem lesões suaves, enquanto outras são capazes de causar muita dor local e sintomas generalizados que podem produzir a morte em poucos minutos. Os sintomas mais freqüentes variam de uma leve irritação à uma queimadura com dor pulsátil ou latejante que pode tornar a vítima inconsciente. Em alguns casos a dor é restrita à área do contato, porém, em outros, pode irradiar-se para a virilha, abdômem ou axila. A área que entra em contato com os tentátulos geralmente torna-se hiperemiada, podendo ser seguida de grave erupção inflamatória, flictenas, edema e pequenas hemorragias na pele. Nos casos mais graves, pode ocorrer choque, câimbras, rigidez abdominal, diminuição da sensação de temperatura e toque, náuseas, vômitos, dor lombar severa, perda da fala, sialorréia, sensação de constricção na garganta, dificuldade respiratória, paralisia, delírio, convulsão e morte.

Prevenção Geral

É importante lembrar que os tentáculos de algumas espécies podem atingir uma distância considerável do corpo do animal e, por isso, deve-se evitar sua aproximação. Roupas de neoprene, apropriadas para o mergulho, são úteis para evitar a inoculação da peçonha. Os trabalhadores de águas tropicais devem estar adeqüadamente vestidos para evitar os acidentes com estes seres. Mesmo aparentemente morta e jogada em uma praia, os tentáculos da água-viva podem grudar na pele e, visto que os nematocistos descarregam-se por reações involuntárias, infligir graves lesões. Após uma tempestade um nadador pode sofrer sérias lesões ao entrar em contato com tentáculos que ficam boiando na água. Assim, deve-se evitar a natação em locais habitados pelas águas-vivas e caravelas. Cobrir o corpo com óleo mineral, ou similar, pode ajudar a evitar apenas que os tentáculos grudem na pele. Ao remover os tentáculos de uma vítima, nunca use as mãos desprotegidas. Nematocistos ainda carregados podem inocular a peçonha nas mãos do socorrista e torná-lo outra vítima.

Tratamento geral

Ao ser inoculada, a vítima deve se esforçar ao máximo para sair da água o mais rápido possível devido ao risco de choque e afogamento. Os primeiros socorros e o tratamentodevem ter quatro objetivos principais: minimizar o número de descargas dos nematocistos na pele, diminuir os efeitos da peçonha inoculada, aliviar a dor e controlar sua repercussão sistêmica. O contato inicial com os tentáculos resultam primeiramente em uma modesta inoculação. Os esforços subseqüentes para desvencilhar-se dos tentáculos podem resultar em um considerável aumento nas descargas dos nematocistos. Porém, quanto mais tempo um tentáculo permanecer em contato com a pele, mais nematocistos serão descarregados. Daí a necessidade da remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele sem esfregar a região atingida, o que só pioraria a situação. A dor é em geral controlada através do tratamentoda dermatite. Ainda assim, a morfina pode ser usada para aliviar a dor mais intensa. O gluconato de cálcio é recomendado para controlar os espasmos musculares. Medidas de suporte utilizadas em terapia intensiva podem ser necessárias nos casos mais graves e complicados. A rotina no tratamentode uma vítima deve seguir os seguintes passos: A primeira medida é lavar abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela poderá estimular quimicamente os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha. Não tente remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas na região atingida. Para previnir novas inoculações __ ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha __, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por pelo menos 30 minutos ou até que se tenha um alívio da dor (a solução de sulfato de alumínio a 20%, hidróxido de amônia diluído, bicarbonato de sódio, urina e o soro do mamão papaia são alternativas para a falta da substâncias citada). Remova com uma pinça os restos maiores dos tentáculos e tricotomize o local com um barbeador para retirar os fragmentos menores e invisíveis. Aplique antes um pouco de espuma de barbear, talco ou mesmo farinha branca. Não havendo disponibilidade dos utensílhos ou produtos citados para a tricotomia, utilize uma pasta de areia ou lama misturada com a água salgada e raspe o local com uma concha ou um pedaço de madeira com a borda afiada. Reaplique novos banhos de ácido acético. Caso a dor continue, use substâncias sedativas sistêmicas ou bolsas de gelo locais para reduzir os sintomas álgicos. Aplique uma camada fina de hidrocortisona (0,5 a 2%) duas vezes ao dia. Nas reações inflamatórias mais graves utilize anti-histamínicos e corticóides orais. Em caso de infecção secundária use antibióticos com amplo espectro, tópico ou sistêmico, de acordo com a gravidade. Para as lesões e escoriações provocadas pelos corais vivos, os procedimentos devem ser: Banhe vigorosamente a região para remover todo o material estranho aderido e depois lave bem a ferida com água e sabão. Havendo algum corte mais profundo não se deve suturá-lo, pois a ferida costuma infeccionar. Aplique uma pomada antisséptica e cubra com uma bandagem tipo gaze. Troque o curativo diariamente. Mesmo com uma boa assepsia da região, a ferida costuma apresentar cicatrização lenta com moderada a severa inflamação e ulceração. Todo o tecido superficial morto deve ser debridado regularmente até que se tenha a formação de um tecido granulado e sadio. Havendo infecção secundária, utilize antibiótico com amplo espectro, tópico ou sistêmico, de acordo com a gravidade.

Peixes

A terminologia Peixes (superclasse Pisces)aqui utilizada, usualmente abrange as classes Chondrichthyes (cações e raias) e Osteichthyes (peixes ósseos). Em algumas áreas costeiras, particularmente nos mares tropicais e subtropicais, os peixes peçonhentos podem provocar sérias lesões em banhistas, mergulhadores e pescadores. O risco de acidente com estes seres pode ser bastante atenuado conhecendo-se um pouco mais a respeito seus hábitos, comportamento e habitat. Das várias espécies de peixes peçonhentos, serão apresentadas apenas aquelas mais comuns e familiares, ocorrentes em nosso litoral e capazes de provocar algum tipo de lesão no homem.

Cações-bagre

Chamados também de cação-de-espinho ou cação-prego, medem de 0,30 a 1,50 metros de comprimento e costumam formar grandes cardumes. Habitam as águas mais fundas, de 50 a 200 metros de profundidade, e vivem sempre junto ao fundo (bentônicos), nunca se aventurando na superfície da água. Apresentam um forte espinho anterior a cada nadadeira dorsal. Esses espinhos são capazes, ao penetrar na pele humana, de inocular uma potente peçonha produzida por glândulas abrigadas na porção superior de cada um desses espinhos.

Aspectos Médicos

O ferimento causado pelos espinhos é quase sempre doloroso. Quando há inoculação de peçonha os sintomas consistem de dor aguda intensa, que pode permanecer por algumas horas, hiperemia e edema sério da região atingida. A fatalidade depende, como sempre, da quantidade de peçonha inoculada, região atingida e estado físico geral da vítima.

Prevenção

Devido aos seus hábitos bentônicos em águas profundas, os acidentes com banhistas e mergulhadores são raros. Entretanto, os pescadores comerciais que os capturam com rede de arrasto de fundo e necessitam manuseá-los estão potencialmente suscetíveis a um contato brusco acidental com esses animais.

Raias


Grande parte das raias habita o fundo (bentônicas) e passa quase todo o dia em repouso na areia, onde algumas se enterram. Outras, mais ativas, possuem hábitos pelágicos. As raias peçonhentas demonstram, de certa forma, preferência pelas águas relativamente rasas das baías, lagoas, estuários e áreas arenosas e rochosas. Possuem em sua cauda um aguilhão (as vezes mais de um ao mesmo tempo) que pode inocular uma potente peçonha. O aguilhão é um grande espinho serrilhado e pontudo composto de um duro material semelhante ao osso coberto por uma fina camada de tecido onde estão as glândulas produtoras de peçonha. Quando o animal está em repouso e tranqüilo, o aguilhão fica encostado paralelo à cauda e acondicionado em uma dobra longitudinal membranosa. Ao serem perturbadas costumam dar violentas chicotadas com a cauda. Nessa hora seu aguilhão adqüire uma posição perpendicular à cauda e, ao atingir sua vítima, pode provocar ferimentos profundos e graves e a inoculação da peçonha. Além disso, o aguilhão, ou pedaços dele, podem se destacar da cauda da raia no momento da penetração e permanecer na lesão, ocasionando complicações futuras. No entanto, quando não molestadas as raias são totalmente inofensivas e incapazes de atacar ativamente quem quer que seja. Para que ocorra um acidente é necessário que a raia se sinta muito ameaçada e/ou acuada, pois ao menor sinal de perigo ou ameaça costuma nadar e afastar-se do local com extrema rapidez.

Aspectos Médicos

As lesões provocadas pelo aguilhão são puntiformes, lacerantes e muitas vezes profundas. A penetração do espinho serrilhado por si só já provoca danos extensos e dolorosos, muitas vezes com grande sangramento. Somando-se à possibilidade de pedaços do aguilhão permanecerem na lesão e à inoculação da peçonha, podemos ter graves conseqüências. A dor, com características cortante, pulsátil, espasmódica ou latejante, é o sintoma inicial predominante, seguido, normalmente, por sintomas gerais de hipotensão arterial, taquicardia, vômitos, diarréias, sudorese e paralisia muscular. A área lesionada apresenta inicialmente uma aparência pálida e posteriormente torna-se cianótica e hiperêmica. Embora as lesões ocorram com maior freqüência nas pernas e pés, resultado de uma pisada no animal, há casos registrados de lesão no tórax com fatalidade.

Prevenção

Deve-se ter em mente que a maioria das raias peçonhentas envolvidas em acidentes com o homem ficam, usualmente, deitadas no fundo cobertas por uma camada de areia ou lama, o que torna difícil sua visualização. Assim, o grande perigo, para as pessoas que costumam andar dentro da água nas áreas costeiras e rasas, é dar uma pisada em cima de uma raia que esteja enterrada. Para evitar ou reduzir o risco de acidentes como esse deve-se, ao andar, arrastar o pé na areia e agitá-lo na água, passo a passo. Recomenda-se também o uso de um bastão para ser agitado à frente de quem anda. Muito cuidado devem ter também aqueles que costumam desembarcar de suas lanchas e barcos diretamente para dentro da água nas praias. Os mergulhadores não devem molestar as raias e os pescadores devem ter muito cuidado no manuseio destes animais.

Bagres


Os bagres ocorrem nas águas marinhas, salobras e doces das regiões tropicais e temperadas quentes do mundo. Vivem nas águas relativamente rasas com fundo arenoso ou lodoso, em grupos que podem variar de cinco a cem indivíduos. São peixes de pequeno a médio porte que apresentam longos e robustos espinhos serrilhados à frente da porção de raios moles das nadadeiras dorsal (um espinho) e peitorais (um em cada). Esses espinhos, de estrutura óssea bastante rígida, são envolvidos por uma membrana tegumentar e por um muco produzido por células glandulares dessa membrana. Este muco atua como uma peçonha para os outros seres. Os acidentes ocorrem quando banhistas e pescadores, inadvertidamente, pisam em um bagre que esteja nadando calmamente no fundo. O peixe pressente a ameaça segundos antes e eriça suas nadadeiras, posicionando os espinhos em ângulo reto ao corpo __ nessa posição a articulação trava o movimento do espinho, tornando-o um formidável, eficiente e perigoso orgão de defesa capaz de infligir lesões extremamente dolorosas..

Prevenção

Os banhistas que costumam passear nas praias devem ter muito cuidado ao entrar na água, observando bem onde pisam. É comum encontrar bagres mortos na areia, alguns praticamente secos pelo sol, que ainda assim podem causar ferimentos graves, mesmo sem o muco. Os pescadores, nas áreas habitadas pelos bagres, devem usar botas com solado grosso e resistente. Os mergulhadores devem prestar muita atenção ao ficar de pé e ao se apoiar no fundo de areia. Os pescadores submarinos, além disso, devem ter cuidado ao manipular os espécimes arpoados.

Aspectos Médicos

O serrilhamento dos espinhos é responsável por graves lacerações na carne da vítima, além de proporcionar a profunda inoculação do muco (peçonha). Tais feridas costumam infeccionar seriamente e podem levar semanas para cicatrizar, mesmo quando tratadas de forma correta. A dor é instantânea, pulsátil e com sensações de queimadura. Pode ser localizada ou irradiar-se para todo o membro atingido. A peçonha de algumas espécies é capaz de provocar dores violentas que podem durar até 48 horas. Imediatamente após a penetração e inoculação, a área em torno da lesão torna-se pálida e depois assume uma aparência cianótica seguida de hiperemia e edema. Nos casos severos ocorre parestesia e gangrena da área atingida. Muitas vezes pode ocorrer choque da vítima. O tratamentoinadeqüado facilita a ocorrência de infecções bacterianas secundárias, comuns nesses casos. Mortes advindas de acidentes com estes seres já foram registradas.

Niquins

Possuem hábitos bentônicos e vivem escondidos em tocas, embaixo de pedras, junto às algas ou parcialmente enterrados na areia ou no lodo. Habitam as águas costeiras rasas a maior parte do ano. São peixes de pequeno porte que apresentam dois espinhos na primeira nadadeira dorsal e um em cada opérculo. Os espinhos da dorsal são delgados, ôcos e levemente curvados, possuindo uma pequena abertura na ponta bem fina pela qual passa a peçonha produzida em sua base glandular. Os espinhos dos opérculos também são usados como órgão de defesa. Uma pisada ou um contato brusco em um de seus espinhos provoca a penetração na pele com a conseqüente inoculação da peçonha.

Aspectos Médicos

Apesar de superficial, a ferida provocada pelos espinhos do niquim costuma ser bastante dolorosa. A dor instala-se de forma rápida e com irradiação intensa, sendo descrita como similar à picada de um escorpião. É seguida de edema, hiperemia e calor.

Prevenção

Os banhistas, pescadores e mergulhadores devem, nas águas rasas com fundo de areia ou lodo, prestar muita atenção onde pisam. Os pescadores profissionais devem ter cuidado ao retirá-los das redes de arrasto de fundo, que os capturam acidentalmente. O manuseio desses peixes deve ser feito com muita cautela, pois, além de tudo, podem morder.

Mangangás

Vivem nas águas tropicais, costeiras e rasas, com fundo coralino ou rochoso. De hábitos bentônicos, solitários e territoralistas, costumam ficar parados mimetizados com o substrato marinho. Diferenciá-los das pedras do fundo é um tanto difícil, por isso são também chamados de peixe-pedra. São peixes de pequeno porte providos de grandes, fortes e pontudos espinhos nas nadadeiras dorsal (doze), anal (três) e pélvicas (um em cada). Os espinhos são cobertos por uma bainha tegumentar moderadamente grossa e apresentam uma ranhura onde aloja-se a glândula peçonhenta. Ao penetrar na carne da vítima a glândula é também introduzida e libera a peçonha. Confiantes na potência de sua peçonha, ao se sentirem ameaçados limitam-se a eriçar suas nadadeiras e com elas seus espinhos. Qualquer contato brusco com um desses espinhos é capaz de causar ferimentos intensamente dolorosos, provocados por uma peçonha das mais potentes dentre os seres marinhos de nosso litoral.

Prevenção

Deve-se, estando em seu habitat, observar atentamente o fundo antes de pisar, apoiar-se ou colocar a mão nas pedras. Localizá-los requer olhos experientes. Quando vivo, sua manipulação necessita de extrema cautela. Ainda que ocorra apenas uma pequena espetada ou um leve corte, já é o suficiente para que ocorra a inoculação da peçonha, abalando fisicamente qualquer homem. Assim, os pescadores, que muitas vezes os capturam acidentalmente, devem, além de todo o cuidado, utilizar luvas bem grossas para retirá-los dos anzóis ou redes.

Aspectos Médicos

A dor é imediata, intensa, cortante, pulsátil e irradiada. A área da lesão torna-se isquêmica e cianótica, e a dor pode permanecer por horas segui-das. A área ao redor da ferida torna-se gradualmente hiperemiada, edemaciada e quente. Pode, ainda, ocorrer deslocamento da pele no local, acompanhado de paralisia total do membro atingido. Outros sintomas e conseqüências, podem instalar-se muitas vezes concomitantemente. São eles: náuseas, vômitos, linfangite, adenomegalias, febre, delírio, mialgias, convulsões, neuropatias, dispnéia, choque, complicações respiratórias e cardiovasculares. Infecções secundárias são comuns. As fatalidades podem ocorrer, porém são raras. A recuperação completa pode levar um bom tempo, com as conseqüentes repercussões negativas para a saúde da vítima.

Tratamento Geral

Antes de abordarmos o assunto, é importante frisar a necessidade imediata de remoção da vítima da água, pois sempre há o perigo de afogamento devido, principalmente, ao choque. Além disso, quanto mais breve for iniciado o tratamento, maiores serão as chances de sucesso na aplicação das medidas preventivas indicadas abaixo. O tratamento das lesões provocadas pelos diversos peixes peçonhentos descritos anteriormente visa três principais objetivos: combater a ação e os efeitos da peçonha inoculada, aliviar a dor e evitar a infecção secundária. A dor é a resposta imediata à lesão e ao trauma produzidos pela penetração do espinho ou aguilhão, potencializada pela inoculação da peçonha e pela possível introdução de substâncias estranhas na ferida, como areia, lodo e outras partículas. Assim, o tratamento deverá obedecer os seguintes passos: Lave bem a ferida, irrigando-a com soro fisiológico, água doce ou mesmo, como último recurso, água do mar. Procure, concomitantemente, remover todos os resíduos e materiais estranhos aderidos. Muitas vezes, devido ao pequeno tamanho da lesão, o que dificulta sua assepsia e a remoção da peçonha inoculada, é necessário fazer pequenas incisões no local do ferimento para aumentar o campo de trabalho, de modo a facilitar o acesso na aplicação de uma efetiva irrigação e limpeza. Um pequeno e controlado sangramento da lesão, facilitado pelas incisões, poderá, quando realizado logo após o acidente, ser muito útil no sentido de ajudar na eliminação da peçonha e na remoção de resíduos localizados mais profundamente. A aspiração ou sucção não apresenta resultados satisfatórios, além de ser contra-indicado na maioria dos casos. O garroteamento (torniquete) do membro atingido, acima da lesão, é uma manobra controversa, tanto por sua discutida eficácia após decorridos dez minutos da inoculação, quanto pelos riscos inerentes à uma aplicação inadeqüada ou incorreta. Sua utilização só deve ser aventada em último recurso __ sacrifica-se o membro lesado para salvar a vida da vítima. Se usado, deve ser aplicado entre o local lesado e o tronco, o mais próximo da lesão. A cada 10 minutos, por 1 ou 2 minutos, deve ser relaxado a fim de manter uma circulação adeqüada. A recomendação mais segura, para diminuir o retorno venoso, é a imobilização do membro e a compressão manual do local da ferida. Logo que possível, banhe a região atingida com água quente, em torno de 45 a 50 oC, por 30 a 90 minutos ou até a dor ceder. Pode-se adicionar sulfato de magnésio à água, devido às suas propriedades anestésicas. Após os banhos quentes, preconiza-se a injeção intravenosa de gluconato de cálcio a 10%, para aliviar os espasmos musculares, e a infiltração local de anestésicos (lidocaína) para debelar a dor. Não havendo resultados satisfatórios, o uso de analgesia narcótica poderá ser instituído. Em seguida, deve-se, dando prosseguimento ao Tratamento, debridar a ferida, reconstituir cirurgicamente os danos teciduais (em especial aqueles produzidos pelos espinhos serrilhados das raias e bagres), colocar drenos e aplicar curativos assépticos. Evite a sutura com fechamento da ferida. Nos casos de ferida aberta de grande tamanho utilize somente a aproximação, para seu fechamento por segunda intenção (após quatro ou cinco dias). Se o tratamentolocal for instituído a tempo, e de forma adeqüada, provavelmente não haverá a necessidade da administração preventiva de antibióticos, porém a toxina anti-tetânica deve ter sua aplicação rotineira. Havendo infecção da ferida, o uso do antibiótico é necessário. Como não há, até o momento, conhecimento preciso dos tipos de germes envolvidos, deve-se utilizar antibióticos de largo espectro. O tempo de uso varia de 7 a 21 dias, dependendo do caso. Os distúrbios circulatórios que se seguem ao acidente, nos vários casos, respondem muito bem às medidas de suporte simples. No entanto, o choque secundário, resultante da ação da peçonha no sistema cardiovascular, como a hipotensão resultante da ação da peçonha das raias, deve ser combatido com terapia intensiva a fim de restaurar o tônus cardiovascular e evitar complicações posteriores. Nesse sentido, é importante levar a vítima para o hospital mais próximo para que seu sistema cardiovascular seja monitorado nas horas seguintes após o acidente. "

AVISO: Estes procedimentos são apenas um auxílio em situações extremas onde não seja possível ou não estaja ao alcance o tratamento médico adequado!! A falta de conhecimentos médicos e o tratamento sem o acompanhamento e prescrição de um profissional habilitado para tal podem levar à morte


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Parabenizando a PK!

marcelsub
Enviado em: 24/01/2008 00:52
Pro Sub
Usuário desde:: 28/12/2007
Localidade: Jacarepagua-RJ
Mensagens: 223
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
Eae Galera!?
Show de bola essa materia!!!
Voces já viram ou ouviram falar do tal TREME-TREME? ou ARRAIA TROMBETA? Eu já topei com um desses e foi simplesmente desastroso. Levei uma descarga eletrica, que quase desmaei. Fiquei com o braço doendo por uma semana, e olha que o safado era pequeno!!!
Abraços!!!
adelino
Enviado em: 11/03/2008 01:51
Pro Sub
Usuário desde:: 17/10/2006
Localidade: Rio de Janeiro / Campinho-JPA
Mensagens: 222
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
Caro marcelsub já tive esta péssima experiência com a “treme-treme” em Cabo Frio e realmente não é nada agradável. Tenho um tópico sobre este assunto (arraia elétrica).
Já tentei desenvolver um tópico com animais marinhos que devemos tomar cuidado, mas não acrescentaram muita coisa.
meikhol
Enviado em: 11/03/2008 02:45
Master Sub
Usuário desde:: 23/12/2007
Localidade: lorena-sp
Mensagens: 315
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
muito boa a matéria!
parabéns
varaschin
Enviado em: 09/09/2008 01:30
Iniciante
Usuário desde:: 01/9/2008
Localidade: Campo Novo do Parecis MT
Mensagens: 32
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
Muito ba essas dicas, principalmente sobre as Arraias, que abtam aguass doces e saladas, muito perigo se estiver em locar razo e encostar a barriga no fundo
Kay
Enviado em: 09/09/2008 11:07
Básico Sub
Usuário desde:: 04/10/2007
Localidade: Bela Vista do Paraiso-Pr Brasil
Mensagens: 97
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
hehe nem tudo que cai na rede é peixe
arrepia só de pensar heimm
o problema é geralmente só descobrimos esses bichanos da pior forma rs
abraços


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Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.
Confucio

valdir
Enviado em: 15/09/2008 16:36
Pro Sub
Usuário desde:: 12/10/2007
Localidade: primavera - sp
Mensagens: 111
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
parabens pela materia!!!!
mtu boa


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vivo pra pesca e pesco pra vive..

Corimba
Enviado em: 01/12/2008 18:08
Iniciante
Usuário desde:: 25/11/2008
Localidade: Campo Grande/MS
Mensagens: 4
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
Muito boa a matéria.. é isso ai! abraço a todos.
yagosub
Enviado em: 01/12/2008 18:42
Pro Sub
Usuário desde:: 13/11/2008
Localidade: AL- maceio
Mensagens: 151
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
otima materia...muito boa mesmo!


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Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?...O SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra! Salmos 8...

Abib
Enviado em: 01/12/2008 22:11
Master Sub
Usuário desde:: 13/10/2008
Localidade: Rio de janeiro - Anil
Mensagens: 385
Re: Tudo o que você precisa saber sobre acidentes com seres marinhos!
Otimo Topico!!!

Parabens pela iniciativa!!!!

Gostaria que tivesse mais fotos...como dos corais...niquins..hidroides...

Abraços e Agua roxa!!!!!!!


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Raphael Abib
raphael_abib@hotmail.com

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